Instituto Brasilidades
A cultural popular brasileira é direito de todo o cidadão, para compreensão e reflexão de sua história.
12.5.12
Roda do Brasilidades em novo local
Nesse ano de 2012 a roda do Brasilidades será realizada no Largo Zumbi dos Palmares, das 16h às 20h, começando nesse domingo dia 20 de maio, sempre com entrada gratuita.
O Largo Zumbi dos Palmares (antigo Largo da Epatur) fica ali na esquina da José do Patrocínio com a Travessa do Carmo e concentra diversas menifestações culturais da cidade. O Brasilidades leva a sua roda para seguir nessa corrente pela cultura popular na rua, acessível à todos.
O espaço é amplo e de fáciol acesso, ficando a roda no meio do povo, trocando a energia do samba brasileiro.
Quem preferir prestigiar o samba mais acomodado, pedimos que leve a sua cadeira/banquinho.
Agendem-se, o couro come à partir do dia 20 de maio:
Roda do Brasilidades
20 de maio - 16h
Largo Zumbi dos Palmares
Entrada gratuita
Em caso de chuva a roda é cancelada.
Já chegou quem faltava, quem o povo esperava chegar...
Todos lá.
Axé!
15.4.12
A história não contada de Candeia
A História oficial sobre o brasileiro Antônio Candeia Filho retrata-o como um homem simples com algumas realizações. As narrativas são, no geral, sobre sua vida cotidiana. Das brigas e do jeitão truculento que o colocou numa cadeira de rodas, à criação do GRAN Quilombo num período efervescente do carnaval carioca. Da Filosofia do Samba ao Axé!. Da vida à morte em muitos sentidos. Entretanto, a trajetória de Mestre Candeia é uma mitologia esquecida, quase apagada. Ele foi, talvez, o maior ícone da cultura popular brasileira na década de 70 e figura até hoje entre os maiores heróis de nossa história cultural. Negro, pobre, favelado e depois deficiente. Tudo o que não passa na novela das oito o faz representar, ao mesmo tempo, diversas categorias de um mesmo povo excluído e marginalizado. Porém, tal qual aqueles que lutam pela consolidação dos direitos mais básicos que possam existir para o exercício da cidadania, Candeia não foi um homem à frente de seu tempo, ele foi um homem que lutou contra o seu tempo. Por isso mesmo há uma história velada sobre o herói.
A afirmação de direitos básicos e fundamentais, bem como dos direitos humanos é resultado de um processo constante de luta popular. Depende de um compromisso ético fundamental e intransigente em relação à causa. O seu avanço é diretamente proporcional ao surgimento de diferentes movimentos sociais e, também, de líderes que se doam para a efetivação desses direitos. Dentro disso, destaca-se a importância do reconhecimento das diversidades como forma de criar-se uma consciência coletiva de tolerância e não violência. Assim, não há espaço para o preconceito e a discriminação, uma vez que reconhece-se o outro como um igual. O samba é um movimento popular (espontâneo) na sua gênese. É um instrumento em si mesmo. É a afirmação da Declaração Universal da Diversidade Cultural da ONU. É a própria diversidade que fala, canta, dança e se comunica. E Candeia com isso?
A História que não se conta sobre Mestre Candeia é a de sua trajetória na militância pela efetivação dos direitos sociais no Brasil. É a do reconhecimento de um povo oprimido por um sistema desigual que luta para ser ouvido por meio da arte e que faz, da própria arte, sua arma pela expressão de seus problemas. Sambas como os que Candeia gravou são sinônimos de crítica social sobre um sistema falido mas que ainda hoje se faz presente distribuindo desigualdades país afora. Quando o Mestre grava Ouro Desça do Seu Trono de outro Mestre, Paulo da Portela, no disco Axé! de 1978, escancara a o seu descontentamento e desentendimento sobre os rumos do carnaval, cada vez mais “midiático” e do “capitalista” e cada vez menos popular, do povo, mesmo. O interessante é que a sua leitura não é individual, ele é o representante “estridente da revolução democrática da cultura”, tal qual descreve Florestan Fernandes.
Aliás, outras gravações do Mestre (e quase todas, pra falar a verdade) trazem a leitura de um povo sofrido e oprimido em meio a um contexto de luta por emancipação, é o caso, por exemplo de O Invocado, gravada também em 1978. Ora, “o crioulo no morro está invocado, o crioulo no morro está no miserê, desce o morro, não encontra trabalho, nem encontra feijão pra comer... Se subires lá no morro e ver o crioulo invocado, podes crer que o irmãozinho se acha desempregado”. Portanto, a mitologia (poética) de Mestre Candeia revela a trajetória da militância dos direitos humanos no Brasil e traz consigo elementos de uma memória que parece sofrer um processo de enfraquecimento via o não reconhecimento dessa luta, por meio de um samba que não se faz mais e através de uma história contada pelos que venceram, até então, a contenda que continua a ser travada.
Instituto Brasilidades
8.4.12
Cultura na rua
É cultura na rua!
Todos lá!
17.3.12
E(In)volução do Carnaval
fantasias e alegorias. Luzes, mágicas, coreografias e malabarismos, dignas das melhores companhias circenses do mundo, são cada vez mais presentes e importantes na concepção do carnaval que, há tempos deixou de ser apenas uma brincadeira, tendo hoje um viés competitivo e fortemente comercial. No entanto,elementos tradicionalmente primordiais para a avaliação de uma escola de samba, tais como o samba e bateria, são cada vez menos considerados na escolha da merecedora do título de campeã, deixando muito a desejar por terem que seguir as regras cada vez mais restritivas e se adaptar a diversos tipos de influências comerciais.
Analisando os resultados dos desfiles de escolas de samba dos últimos carnavais,
principalmente do Rio de Janeiro, é possível perceber que os fatores de luxuosidade e criatividade das suas comissões de frente tem sido decisivos para as agremiações vitoriosas, que se utilizam de malabarismos e truques de ilusionismo – em grande parte copiados da internet. Como exemplo, este ano tivemos a Unidos da Tijuca que, com um impressionante truque de uma mola dançante – que pouco tinha a ver com o enredo – ganhou a admiração do público e dos jurados. Em anos anteriores a mesma coisa, seja uma troca de roupa como um
passe de mágicas ou cabeças que saem do pescoço, o importante é seduzir jurados
com ilusionismo.
Não haveria problema algum da utilização destes recursos pelas escolas, não fosse essa prática ter vindo acompanhada da deterioração de elementos fundamentais ao tratarmos de escolas de samba. Como citados anteriormente, a bateria e o próprio samba são os maiores exemplos disso pois, com o passar do tempo foram perdendo relevância nos desfiles e sofrendo alterações que comprometeram suas qualidades. A bateria, que antigamente diferenciava-se de escola para escola pela sua batida que, por influência do candomblé, reverenciava o orixá que a escola era devota, hoje perdeu boa parte destas características próprias devido ao andamento
acelerado imposto aos ritmistas, já que as escolas devem passar, em média, 4 mil integrantes por toda extensão da avenida em no máximo 80 minutos. A constante troca de mestres de bateria entre as agremiações é outro importante fator para essa perda de identidade. Os sambas por sua vez, empobreceram poética e melodicamente, já que os compositores ficam
presos não só a um enredo, mas a palavras e termos pré-definidos pelos carnavalescos, que definem primeiro as alegorias e fantasias para depois adequar o restante. Além disso o samba deve primar por um refrão de fácil fixação do público. Fatores que explicam atualmente a escassez de novas composições nos moldes dos antológicos sambas-enredo de Silas de Oliveira e Noel Rosa de Oliveira.
Outro fator importante para a deterioração dos elementos mais autênticos das escolas de samba, é a mercantilização do carnaval que, desde muito tempo é patrocinado pelo dinheiro de bixeiros e contraventores, e agora é alvo de grandes empresas dos mais variados ramos, assim como partidos políticos, clubes de futebol e até mesmo outros países que, afim de promover suas marcas e produtos, investem milhões em troca do enredo daquele ano. Como se não bastasse, outro tipo de comércio tem se tornado comum no meio carnavalesco: O comércio dos destaques. Caso das rainhas de bateria, posição que virou desejo de diversas “modelos
atrizes” que normalmente em nada tem a ver com a escola mas, desejando se aproveitar da exposição à mídia, pagam generosas quantias em troca deste posto. Prática lamentável, que já foi motivo de escândalos e, além de não contribuir em nada para o desfile das escolas, tira a atenção da verdadeira beleza do carnaval, que é a festa do povo.
É perfeitamente compreensível que, a medida em que o carnaval vai tomando maior
notoriedade, se consagrando como uma das principais atrações turísticas do nosso país, a luxuosidade e exuberância vão crescendo proporcionalmente ao aumento de investimentos, no entanto, não é possível aceitar que o carnaval perca suas características mais fundamentais - e certamente mais belas em sua simplicidade – pois foram estas que a várias décadas atraíram as classes mais altas da sociedade ao subúrbio, para ver o samba e o requebrado contagiante de seus e suas passistas. Deve-se valorizar as escolas de samba como elas são, respeitando suas tradições e os legados deixados pelos grandes mestres fundadores. Não transformando o carnaval em um espetáculo “tipo exportação”, sob pena de perdermos a essência desta festa que, ainda leva na força da bateria, no trabalho e alegria das comunidades, as suas maiores virtudes. Ou seja, o carnaval ainda é do povo!
Instituto Brasilidades
8.3.12
Domingo tem roda!
27.2.12
Manifesto pela cultura popular brasileira
Instituto Brasilidades .
Manifesto pela cultura popular brasileira
A riqueza cultural do nosso país é patrimônio da nação, caracterizada por sua
diversidade de origens e influências. Ainda nos dias de hoje o Rio Grande do
Sul determina uma cultura como “oficial”, sem o devido espaço para outras
manifestações que ocorrem em nosso estado. Considerando nossa região como parte
integrante do contexto nacional e a diversidade de raças e culturas que compõe
o povo gaúcho, é fundamental a disseminação desta diversidade cultural, visando
a identificação do cidadão gaúcho em um país plural em sua cultura.
Em 2009 o Instituto Brasilidades iniciou suas atividades em Porto Alegre com o
objetivo único de afirmar a cultura popular brasileira em nossa região. Afirmar
nossa cultura através do acesso a diferentes manifestações que ao longo de décadas
não tem o seu devido espaço.
Realizamos ao longo de três anos atividades em locais públicos, com entrada gratuita e sem
nenhum fim lucrativo, apenas com o ideal de dar acesso a cultura popular.
Observamos uma carência por cultura de graça, na rua, sem ingressos, acessível
a todos.
Não lutamos contra nenhuma forma de cultura específica, seja estrangeira ou
nacional. Lutamos apenas para que as diferentes expressões da nossa cultura
popular brasileira sejam conhecidas por todos, de forma acessível e irrestrita.
Não somos contra teatros e shows. Ao contrário, valorizamos os profissionais
que engrandecem os espetáculos com seus conteúdos culturais. Mas trabalhamos
para que exista também um acesso popular as manifestações da nossa cultura.
Entendemos que o conhecimento sobre a diversidade cultural do nosso país é direito
fundamental de todo o cidadão gaúcho. Enquanto brasileiros, é fundamental que
se conheça a própria história e se reflita de uma maneira crítica sobre
qualquer imposição cultural, exercendo uma postura construtiva em relação ao
que somos hoje, de onde viemos e qual o futuro que desejamos. Queremos que a
nova geração veja pelas ruas além de desfiles à cavalo, também rodas de samba,
rodas de capoeira, cantos de Jongo, nações de Maracatú...
Aos que sentirem-se instigados a participar desta corrente pelo acesso a cultura
popular brasileira e, de alguma forma, achar em que podem contribuir com as
ações do Instituto Brasilidades, deixamos nosso contato para receber
indicações.
Axé!
Instituto Brasilidades
institutobrasilidades@gmail.com
www.institutobrasilidades.com.br
21.2.12
Carnis Valles - Os Prazeres da Carne *
A origem do Carnaval no Brasil ocorreu de forma difundida e com mais intensidade após a abolição da escravatura. No Rio de Janeiro, capital do país nessa época, marcou uma luta de classes. Chamado de Entrudo Popular, o evento festivo consistia em aplicar peças aos transeuntes, jogando sobre eles qualquer coisa líquida ou em pó. Os grupos de atacantes e atacados se formavam de acordo com suas posições sociais, e, por vezes, a brincadeira tomava rumos de confronto.
Para conter tais conflitos a Elite da Capital copiou os moldes europeus, criando os Bailes de Carnaval.
Mas, a brincadeira não saiu das ruas. Em todo o país as festividades do Carnaval ocuparam os espaços populares. Porém, com formações distintas.
O Carnaval Carioca assumiu um formato competitivo, com a criação de grupos e ranchos, que mais tarde viriam a se tornar as Escolas de Samba. Enquanto as formações carnavalescas se organizavam e criavam regras para sua competição, a massa popular brincava em Blocos de Carnaval.
O Carnaval Pernambucano manteve o espírito do Entrudo, caracterizando-se por uma grande brincadeira coletiva e popular. Ao longo da formação do Carnaval Pernambucano novas expressões da cultura foram sendo incorporadas às festividades, como o Maracatú e o Frevo.
Ainda no século XVIII, o Entrudo era comemorado no sul do país, dando lugar para as Sociedades Carnavalescas no século seguinte.
As primeiras Sociedades de Porto Alegre foram a Esmeralda (verde e branco) e a Venezianos (vermelho e branco). Os Bailes também tiveram seu lugar na capital gaúcha, ocupando os espaços do Teatro São Pedro. Quem não frequentava os salões brincava pelas ruas da Cidade Baixa, Menino Deus e arredores.
Em meados do século XX, as Escolas de Samba começam a surgir, executando suas apresentações nas avenidas da cidade. Em 2004, as festividades foram transferidas para um novo local, o Sambódromo do Porto Seco.
Ainda hoje, na quadra, na avenida, no salão ou na rua, o Carnaval permanece sendo uma grande brincadeira popular!
Referências:
http://pt.wikipedia.org
http://www.brasilescola.com
http://www.carnavalpoa.com.br
http://www.dominiopublico.gov.
* A palavra "carnaval" está relacionada com a ideia de deleite dos prazeres da carne marcado pela expressão "carnis valles", que, acabou por formar a palavra "carnaval", sendo que "carnis" em latim significa carne e "valles" significa prazeres. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/
